O que é o câncer de próstata
O câncer de próstata acontece quando células da próstata passam a se multiplicar de forma descontrolada. Na maioria dos casos, o tumor cresce devagar e fica restrito à glândula por muitos anos. Em uma parte dos homens, porém, ele é mais agressivo e pode se espalhar para gânglios e ossos.
Por isso o tratamento não é igual para todos. Saber o grau de agressividade e a extensão do tumor é o que define o melhor caminho.
Fatores de risco
- Idade: o risco aumenta a partir dos 50 anos.
- Histórico familiar: pai ou irmão com câncer de próstata, principalmente antes dos 60 anos.
- Origem: homens negros têm risco maior e tumores mais agressivos com mais frequência.
- Alterações genéticas herdadas, como as dos genes BRCA, que também aumentam o risco de câncer de mama e ovário nas mulheres da família.
- Excesso de peso está ligado a tumores mais agressivos.
Sintomas
No início, o câncer de próstata quase nunca dá sintomas. Quando aparecem, costumam indicar doença mais avançada ou se confundem com os da próstata aumentada:
- dificuldade para urinar ou jato fraco;
- sangue na urina ou no sêmen;
- dor nos ossos, principalmente na coluna e na bacia, em fases avançadas.
Esperar por sintomas para investigar é o motivo de muitos diagnósticos tardios.
Rastreamento e diagnóstico
Fazer exames em homens sem sintomas é uma decisão que deve ser conversada com o urologista, pesando benefícios e riscos. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que essa conversa comece aos 50 anos, ou aos 45 para quem é negro ou tem pai ou irmão com a doença.
A investigação costuma seguir esta ordem:
- PSA e toque retal. Indicam se há suspeita.
- Ressonância magnética da próstata. Mostra áreas suspeitas e ajuda a evitar biópsias desnecessárias.
- Biópsia. É o único exame que confirma o câncer. O patologista dá uma nota de agressividade, a escala de Gleason ou ISUP.
Se o câncer for confirmado, exames como tomografia, cintilografia óssea ou PET-PSMA mostram se a doença está restrita à próstata.
Estágios e grupos de risco
Com os resultados, o caso é classificado:
| Grupo | O que significa | Caminho mais comum |
|---|---|---|
| Baixo risco | Tumor pequeno, pouco agressivo | Vigilância ativa, na maioria dos casos |
| Risco intermediário | Tumor com agressividade moderada | Cirurgia ou radioterapia; vigilância em casos selecionados |
| Alto risco | Tumor agressivo ou mais extenso | Cirurgia ou radioterapia com bloqueio hormonal, muitas vezes combinados |
| Doença avançada | Espalhou para gânglios ou ossos | Tratamento sistêmico (hormonal e outros), com equipe multidisciplinar |
Tratamentos
As principais opções para a doença localizada são:
- Vigilância ativa: acompanhamento com PSA, ressonância e biópsias periódicas. Evita os efeitos do tratamento em tumores que provavelmente não vão causar problema.
- Cirurgia robótica (prostatectomia radical): retira a próstata com o tumor. Permite analisar todo o material e saber exatamente a extensão da doença.
- Radioterapia: trata a próstata com radiação, às vezes com bloqueio hormonal por alguns meses.
- Braquiterapia e terapias focais: para casos selecionados.
Cirurgia e radioterapia têm resultados de controle semelhantes em muitos casos de doença localizada, com efeitos colaterais diferentes. A escolha leva em conta o tumor, a sua idade, a sua saúde e o que é mais importante para você. Se você já recebeu uma indicação e quer ouvir outra avaliação, a segunda opinião é um direito seu.
Quando procurar um urologista
Marque uma consulta se:
- você tem 50 anos ou mais (ou 45, com fator de risco) e nunca conversou sobre o rastreamento;
- o seu PSA veio alterado ou subiu em relação ao exame anterior;
- recebeu o resultado de uma biópsia e quer entender as opções;
- tem sangue na urina ou no sêmen.
Perguntas frequentes
PSA alto quer dizer câncer?
Não necessariamente. O PSA também sobe com a próstata aumentada, inflamação, infecção, relação sexual ou exercício de bicicleta nos dias anteriores ao exame. Um PSA alterado é motivo para investigar, não um diagnóstico.
Se eu fizer o toque retal, preciso do PSA? E o contrário?
Os dois exames se complementam. Alguns tumores aparecem no toque com PSA normal, e outros só são suspeitos pelo PSA. O urologista decide com você o que faz sentido no seu caso.
Todo câncer de próstata precisa ser operado?
Não. Muitos tumores de baixo risco crescem tão devagar que podem ser apenas acompanhados, com PSA, ressonância e biópsias periódicas (vigilância ativa). O tratamento só começa se houver sinal de progressão.
Câncer de próstata tem cura?
Quando a doença está restrita à próstata, o tratamento é feito com intenção de cura e as chances de controle são altas. Em fases mais avançadas, existem tratamentos que controlam a doença por muitos anos. O resultado depende de cada caso e ninguém pode garantir.
Moro no Paraguai ou na Argentina. Posso tratar em Foz?
Sim. O Dr. Nário atende pacientes dos dois países no consultório de Foz do Iguaçu. Leve todos os exames e laudos que já tiver, inclusive as lâminas da biópsia, se possível.
Fontes
- Câncer de próstata · Instituto Nacional de Câncer (INCA)
- Prostate Cancer (diretriz) · European Association of Urology (EAU)
- Clinically Localized Prostate Cancer (diretriz) · American Urological Association (AUA)
- Portal da Urologia · Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)
Atualizado em . Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.