O que é a cirurgia robótica da próstata
O nome técnico é prostatectomia radical assistida por robô. A cirurgia retira a próstata inteira, as vesículas seminais e, quando indicado, os gânglios linfáticos da região. Depois, a bexiga é costurada à uretra para que a urina volte a sair normalmente.
O robô é um instrumento. O cirurgião fica sentado em um console, ao lado do paciente, e comanda os braços robóticos com as mãos. O sistema filtra tremores, permite movimentos em ângulos que a mão humana não alcança e mostra a área operada ampliada e em três dimensões. Isso ajuda em uma região pequena e cheia de estruturas delicadas, como os nervos da ereção e o músculo que controla a urina.
Para quem a cirurgia é indicada
A prostatectomia robótica costuma ser indicada para homens com câncer de próstata localizado, ou seja, que ainda não se espalhou para outros órgãos, e que têm saúde e expectativa de vida que justifiquem um tratamento com intenção de cura.
Em casos selecionados de doença localmente avançada, ela pode fazer parte de um tratamento combinado. Já tumores de risco muito baixo muitas vezes não precisam de tratamento imediato e podem ser acompanhados.
Como é feito o diagnóstico
O câncer de próstata no início quase nunca dá sintomas. Por isso, a investigação costuma começar com:
- PSA alterado no exame de sangue ou alteração no toque retal;
- ressonância magnética da próstata, que mostra áreas suspeitas e orienta a biópsia;
- biópsia, que confirma o câncer e define o grau de agressividade (escala de Gleason ou ISUP).
Dependendo do resultado, o médico pode pedir exames para ver se a doença está restrita à próstata, como a tomografia, a cintilografia óssea ou o PET-PSMA. Com tudo isso em mãos, o caso é classificado em risco baixo, intermediário ou alto.
Opções de tratamento para o câncer localizado
A cirurgia robótica é uma das opções. A escolha depende do risco do tumor, da sua idade, das suas outras doenças e do que pesa mais para você.
| Opção | Em resumo |
|---|---|
| Vigilância ativa | Acompanhamento com PSA, ressonância e biópsias, sem tratar de imediato. Para tumores de baixo risco. |
| Prostatectomia robótica | Retira a próstata com o tumor. Permite saber exatamente a extensão da doença no exame do material. |
| Radioterapia | Trata a próstata com radiação, às vezes junto com bloqueio hormonal. Não exige cirurgia. |
| Braquiterapia | Radiação aplicada por sementes ou cateteres dentro da próstata, em casos selecionados. |
| Terapias focais | Tratam só a área do tumor. Ainda são opção para casos bem selecionados. |
Se você recebeu um diagnóstico e está em dúvida entre as opções, uma consulta de segunda opinião pode ajudar a decidir.
Como é a cirurgia e a recuperação
A cirurgia é feita com anestesia geral e dura, em média, de duas a quatro horas.
- Internação: em geral, de um a dois dias.
- Sonda: você vai para casa com uma sonda na uretra, retirada no consultório, em geral entre sete e dez dias depois.
- Dor: costuma ser leve e controlada com remédios comuns, porque os cortes são pequenos.
- Atividades: caminhadas desde os primeiros dias; dirigir e trabalhar em escritório em cerca de duas semanas; esforço físico só depois da liberação do médico.
O resultado do exame da próstata retirada sai em algumas semanas e orienta o acompanhamento, que é feito com dosagens de PSA.
Riscos e efeitos possíveis
Toda cirurgia tem riscos. Os efeitos que mais preocupam os pacientes são:
- perda de urina: comum logo após tirar a sonda. Na maioria dos homens, melhora ao longo dos meses. Exercícios para o assoalho pélvico ajudam;
- disfunção erétil: depende da ereção que você tinha antes e da possibilidade de preservar os nervos. A recuperação é gradual e pode ser apoiada com tratamento;
- ausência de ejaculação: depois da cirurgia não há mais ejaculação, porque a próstata e as vesículas seminais produzem o sêmen. O orgasmo continua;
- complicações cirúrgicas como sangramento, infecção ou estreitamento da ligação entre bexiga e uretra, menos frequentes.
O médico vai conversar sobre os riscos no seu caso antes de qualquer decisão.
Quando procurar um urologista
Marque uma consulta se:
- o seu PSA veio alterado ou subiu em relação ao exame anterior;
- você recebeu o resultado de uma biópsia e quer entender as opções;
- já tem indicação de cirurgia e quer uma segunda opinião;
- tem mais de 50 anos (ou mais de 45, com pai ou irmão que teve câncer de próstata) e nunca conversou com um urologista sobre o assunto.
Perguntas frequentes
Quem opera é o robô?
Não. O robô não faz nenhum movimento sozinho. O cirurgião fica no console e comanda cada instrumento; o sistema reproduz os movimentos das mãos dele com mais estabilidade e mostra uma imagem ampliada em 3D.
Quantos cortes são feitos?
Em geral, cinco ou seis cortes pequenos na barriga, de cerca de 1 cm. Um deles é um pouco aumentado no fim para retirar a próstata.
Vou perder o controle da urina?
Nas primeiras semanas após tirar a sonda, é comum ter perdas de urina. Na maioria dos homens elas diminuem ao longo dos meses, com ajuda de exercícios para o assoalho pélvico. O tempo varia de pessoa para pessoa.
E a ereção?
Depende da ereção que você tinha antes, da idade e de ser possível preservar os nervos da ereção sem comprometer a retirada do tumor. A recuperação, quando acontece, é gradual e pode levar meses. Existem tratamentos para ajudar nesse período.
Cirurgia robótica é melhor que radioterapia?
Não existe uma opção melhor para todos. Para o câncer localizado, cirurgia e radioterapia têm resultados de controle da doença semelhantes em muitos casos, com efeitos diferentes. A escolha leva em conta o tumor, a sua idade, a sua saúde e as suas preferências.
O plano de saúde cobre a cirurgia robótica?
Depende do plano, do contrato e do hospital. A equipe ajuda a verificar a cobertura e explica os custos envolvidos antes da cirurgia.
Fontes
- Prostate Cancer (diretriz) · European Association of Urology (EAU)
- Câncer de próstata · Instituto Nacional de Câncer (INCA)
- Clinically Localized Prostate Cancer (diretriz) · American Urological Association (AUA)
Atualizado em . Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.